É certo ou errado falar palavrões?

Falar palavrões é um costume antigo da humanidade. Em 1621, 400 anos atrás, Comenius escreveu sobre a Didática Magna, o Tratado da Arte Universal de Ensinar Tudo a Todos. Já naquele tempo ele encontrava dificuldades ao lidar com o linguajar dos alunos e propôs algumas soluções:

“Deve providenciar-se para que, enquanto se ensinam estas coisas às crianças, não lhes seja dado nenhum exemplo em contrário. Isto é, procure-se que as crianças não ouçam nem vejam blasfêmias, perjuros, profanações do nome de Deus ou outras impiedades, mas que, para qualquer parte que se voltem, encontrem reverência pela divindade, observância da religião e pureza de consciência. No entanto, deve aplicar-se uma disciplina mais severa e mais rígida àqueles que exorbitam no domínio dos costumes, em caso de qualquer ato de impiedade, como a blasfêmia, a obscenidade e em caso de contumácia e de malícia obstinada.”

Falar palavrões é um péssimo hábito. A pessoa que se habitua a falar palavrões perde o controle, ela já não sabe quando pode ou não pode, quando deve ou não deve falar palavrões. E pior ainda do que a frequência do hábito de falar palavrões é a quantidade. Logo você poderá estar falando um palavrão a cada 5 palavras normais e seu vocabulário estará infestado com esse tipo de peste.

Os palavrões, em geral, têm como base as partes íntimas das pessoas e os atos sexuais. Eu não vou relacionar aqui todos os palavrões que existem. Eu não tenho costume de falar palavrões e, portanto, não gosto de ouvir, ler ou escrever palavrões. Você sabe todos os palavrões que são usados, nós ouvimos palavrões e vemos atos obscenos todos os dias na escola e no trabalho. À medida que eu for explicando sobre este assunto, você vai conseguir entender melhor.

Eu, como toda pessoa normal nos dias atuais, cresci em um ambiente onde meus colegas falavam muitos palavrões. Havia competição de palavrões entre as crianças e saía vencedor quem soubesse mais palavrões, os mais “cabeludos”, os mais feios, os mais fortes e os piores. Tudo de ruim que você possa imaginar. Que absurdo! Lá estava eu no meio da criançada brincando com esse tipo de sujeira mental. Mas, como eu expliquei anteriormente, o utilizador de palavrões perde o controle e já não sabe mais quando pode e quando não pode usar tais palavras.

Eu tinhas uns 12 anos de idade na época. Eu estava conversando com a minha mãe, descendo pela rua, estávamos quase chegando em casa. De repente eu soltei um palavrão, sujo, pesado, promíscuo. Ela olhou firme para mim e disse: “O que você disse? Repita o que você falou!” Naquele instante me correu um frio pelo corpo – começou na cabeça, desceu pela espinha e parou no dedão do pé – minhas pernas amoleceram, minha visão ficou embaralhada, eu suava frio. Eu sequer tinha coragem de repetir o que eu havia falado. E não repeti. Ela então acrescentou: “Nunca mais repita isso!”

Naquele dia mesmo eu comecei a ponderar sobre o uso de palavrões. Eu tinha que criar um sistema para abandonar aquele vício terrível. Mas como fazer? Por onde começar? Eu nunca ouvi meu pai falar palavrões, minha mãe não falava palavrão, esse costume simplesmente não existia em nossa casa. Meu pai cresceu sem pai e não tinha muito a presença da mãe dele, mas mesmo assim ele sempre foi muito polido e educado. Ele estudou em colégio de freiras, acho que a disciplina foi muito severa naquela escola e ele sempre falava e escrevia muito bem.

Fiz um plano simples para limpar o meu vocabulário e acreditei que poderia funcionar. Tinha que funcionar! Determinei o seguinte para mim mesmo: “Cada vez que eu estiver prestes a falar um palavrão eu vou notar, eu vou prestar atenção e esse palavrão não vai passar pela minha boca.” Confesso que foi duro. Foi uma surra mental. Diversas vezes fui pego de surpresa, filtrando meus pensamentos, selecionando cada palavra antes de pronunciá-la. Prestar atenção cada vez e frear o palavrão que estava prestes a sair. Demorou algum tempo, mas eu venci. Passados muitos anos, posso dizer com orgulho que nunca mais falei palavrões!

Mas o que há de mal em falar palavrões? Ao que parece, ter um monte de palavrões na cabeça é como se fosse uma poluição mental, você está carregando um peso desnecessário. Eu comecei a me sentir tão mais livre e leve sem ter que carregar um dicionário de palavrões na cabeça. Outro aspecto negativo é a falta de controle, você já não sabe quando é hora e quando não é hora de falar palavrões. Pessoas bem educadas e de nível intelectual mais elevado podem enxergar você de uma forma negativa. Isso pode acontecer na escola, no trabalho e na igreja.

Falando sobre igreja, lembro de algumas ocasiões em que presenciei líderes religiosos deixando uma mensagem super espiritual e inspirada no domingo e durante a semana, em ocasiões informais, vê-los falando palavrões e fazendo piadas grotescas. Aquilo para mim sempre foi um choque, eu não conseguia acreditar no que eu estava vendo. De uma certa forma eu perdi o respeito e admiração que eu tinha por aquelas pessoas. A maneira como nós falamos pode causar, sem dúvida nenhuma, uma impressão positiva ou negativa para as outras pessoas. Qual é a impressão que você quer causar? Como você quer ser visto?

Para encerrar essa mensagem, eu gostaria de explicar sobre algumas razões pelas quais nós não devemos falar palavrões e porque devemos nos esforçar para ter um vocabulário limpo. Quando estudamos língua portuguesa na universidade, logo no início aprendemos que o português tem raízes no latim. Do mesmo modo, os palavrões tem uma raiz. Mas qual seria essa raiz?

Os palavrões em geral giram em torno da sexualidade humana. É através da sexualidade humana que nós temos a capacidade de vir ao mundo e ganhar um corpo físico. Antes de aqui nascer nós vivíamos com Deus e Ele criou esse sistema, Ele criou o homem e a mulher e através do relacionamento sexual um bebê é formado no ventre, cresce, se desenvolve e nasce. Um ser humano. Um filho de Deus. O processo de criação de seres humanos é o que existe de mais sagrado no universo. A corrupção deste sistema é algo extremamente triste e deplorável.

Por esta razão, nós não deveríamos fazer piadas e gozações usando palavras profanas que desdenham do poder de procriação, afinal esse poder é sagrado e foi criado por Deus para a perpetuação da raça humana. Observe bem e você verá que a maioria dos palavrões têm sua raiz no poder de criar vidas!

Toda mãe sabe como é um milagre sagrado ter um bebê sendo gerado em seu ventre. Todo pai sabe que é um privilégio ter um filho que irá transmitir seu nome por muitas gerações. Se você for capaz de entender que o poder de procriação, o poder de gerar vidas, é um poder sagrado dado por Deus ao homem e à mulher para cumprir um objetivo eterno, então nunca mais você terá coragem de pronunciar palavras que desdenhem ou diminuam o valor deste poder sagrado.

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